quarta-feira, 9 de junho de 2010

45. A IMPLEMENTAÇÃO DA REPUBLICA - história

Durante cerca de oito séculos, Portugal foi governado por um rei e a forma de governo era a monarquia hereditária, ou seja, os monarcas eram da mesma família e a coroa era passada de um membro para outro da mesma família.
Ao longo dos tempos a monarquia foi tomando várias formas podendo ser:
- Monarquia absoluta; quando o rei tomava todas as decisões sem reunir Cortes e detinha todos os poderes, ou
- Monarquia constitucional; quando o rei tinha só o poder executivo e tinha de se reger por uma Constituição.
No final do século XIX, a nossa monarquia começou a ser abalada com a formação de um novo partido politico, o partido Republicano que apresentava uma nova forma de governo e pretendia acabar com a figura do rei, que era considerado o responsável pelos problemas que o país vivia na época.

Em 31 de Janeiro de 1891 dá-se no Porto a primeira revolta armada contra a monarquia. No dia 1 de Fevereiro de 1908, em Lisboa, ocorre o regicídio e são mortos num atentado o rei D. Carlos I e o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe.

Cresce o descontentamento da população e na madrugada de 4 de Outubro de 1910 iniciou-se em Lisboa a revolução republicana à qual prontamente a população aderiu. Perante as investidas republicanas, o exército monárquico não se conseguiu organizar e os revoltosos venceram tendo sido proclamada a Implantação da República , na varanda do edifício da Câmara Municipal, na manhã do dia 5 de Outubro de 1910.

Dada a necessidade de fazer compreender a população na mudança efectiva das politicas nacionais os republicanos, através do seu governo provisório, aprovaram novos símbolos para a nova República Portuguesa, a Bandeira vermelha e verde e o Hino Nacional “A Portuguesa”.

Os republicanos tinham ideias modernas e definidas e tomaram importantes medidas no domínio da educação e do ensino.
Nessa altura, a grande maioria da população era analfabeta, não tinha sequer tempo para ir para a escola pois as crianças ajudavam nos trabalhos, quer no campo, quer na cidade. Os republicanos consideravam a instrução um bem fundamental e até diziam: ”O Homem vale sobretudo pela educação que possui”.

Infelizmente, apesar de toda a boa vontade, a educação continuou a não chegar a todos. Os pais continuavam a precisar dos filhos para trabalhar e não os mandavam à escola e as dificuldades financeiras com que se depararam os governos da 1ª República também lhes dificultaram a vida.

Ideias novas não faltaram e, embora a aplicação prática fosse difícil, a 1ª República teve o mérito de tentar melhorar as condições difíceis em que vivia o povo e muito particularmente o operariado. Foi a génese da democracia, da afirmação de uma sociedade livre, da laicização do poder e, são essas novas ideias que pretendemos comemorar e, a celebração do centenário da implantação da República é um marco histórico incontornável na História de Portugal.

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